há uma história da tradição sufi, que reconto aqui com minhas palavras, que diz ter chegado numa pequena cidade, perdida no interior de lugar nenhum, onde uma vez chegou um circo. dentre as atrações deste circo, uma em particular chamou a atenção de todos, um elefante. ninguém na cidade jamais ouvira falar de tal coisa, nem faziam ideia do que fosse. o tal elefante, foi mantido escondido em uma tenda e guardado por sentinelas, para que somente no dia seguinte, durante o show, ele fosse apresentado ao povo daquela cidade. seis cidadãos, dos mais curiosos e críticos da cidade resolveram se reunir para tentar ver o elefante antes de todos, afinal o tal elefante poderia ser algo perigoso e botar em risco a cidade. assim como combinaram, durante a troca das sentinelas se esgueiraram, cada um por um lado para dentro da tenda do elefante, mas no instante em que entraram, foram notados e postos para correr pelos sentinelas que se apresentavam. correram cada um para um lado, e encontraram-se poco depois num local já combinado. ainda ofegantes pela corrida, lamentaram a escuridão do local que não lhes permitiram enxergar coisa alguma porém, todos conseguiram tocar o elefante. aquele que tocou no rabo do elefante disse: eu toquei nele e me pareceu ser um chicote! o que tocou na perna do elefante disse: oh não, a mim me pareceu um troco de árvore! o que tocou na barriga do elefante protestou: não, se parece mais como uma rocha! o quarto havia tocado na orelha e disse: se parece mais com uma folha de palmeira! o que tocou no marfim disse: é um animal, deve ser um tipo de touro, eu toquei seu chifre! o último, que tocou na tromba, afirmava categoricamente que se tratava de uma cobra.
gosto deste conto, pois ele exemplifica com bastante nitidez o que penso a respeito dA Verdade. Ela é como o elefante da alegoria acima, ninguém sabe o que é, como é, mas cada um a toca onde lhe é mais próximo, e acredita conhecer o todo através da parte que toca. portanto é possível afirmar que a verdade é um aubreniflônio.
A VERDADE É UM AUBRENIFLÔNIO
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PÔR DA VACA
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DALSONISMO
delovino trazia de nascença um defeito que ele mesmo nunca soube possuir, era dalsônico, uma espécie de daltônico só que com som. ele não percebia o lá e o mi, para ele era só existiam cinco notas. o lá ele ouvia como fá e o mi como si. talvez não fosse grande problema se ele não insistisse em ser músico. sempre tocou de ouvido e com o tempo seu senso de ritmo e coordenação motora foram piorando até que foi abandonado pelos amigos, já não aguentavam mais ouví-lo tocar e cantar suas letras quilométricas. não demorou muito para que sua família o expulsasse de casa, foi morar no coreto da praça, lá ganhou fama e com ela veio a expulsão da cidade. incompreendido, resolveu que iria viver seu exílio na floresta. caminhou até encontrar um lugar bucólico e inspirador, onde sentou-se, tirou o violão e começou a dedilhar algumas cordas. de repente percebeu que enquanto tocava havia ficado rodeado de animais dos mais variados tamanhos e tipos, sentia-se numa cena de uaudisnei. com um sorriso, acendeu-se uma esperança nele e com ela, a decisão de que dali em diante tocaria apenas para os animais. teria sido feliz para sempre com sua decisão se não tivesse sido pisoteado até a morte pelos animais assim que começou a cantar.
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OCO LETIVO
foi num dia sem ontem, em que a tarde chegara mais cedo. um torpe rólido e sem tamanho porgoejou alguma trambitalha sentimental, na calçada as pedras estavam colocadas como de costume, mesmo porque o cimento que as unia mantinha completo controle da coesão e da imobilidade de todo o conjunto. não demorou muito o primeiro veículo juntou-se aos demais num coro de borracha a gritar. num ponto bem ao lado da parte de cima do assento circunflexo ao contrário que enfeitava a loja de ferragens, um homem parado aguardava a oportunidade de se tornar passageiro, quando um outro homem absolutamente idêntico ao primeiro aproximou-se pelo outro lado, do mesmo ponto. durante todo o tempo necessário para fazer duas granifas com caleno na esquina do chibiu com comendador não foi encontrado jeito de que ambos se vissem, quando um olhava para um lado, o outro para o outro olhava, e depois para o vice versa. a multidão passou, o sol cedeu, e cinco minutos depois chegou o tão almejado propósito prestes a se realizar. nem mesmo quando um ofereceu passagem pro outro e vice versa umas cinco vezes antes de entrar no ônibus, eles perceberam que eram a mesma pessoa.
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CLASSIFICADOS DE PERSONAGENS (r)
*cínthio sentiu o que cínthia sentia, são gêmeos, nasceram siameses mas foram separados logo ao nascer pois estavam unidos somente pelos cabelos. cínthio virou travesti e cínthia sapatão, cínthia adotou o nome de cíntio e cínthio de cíntia. moram num sítio e sonham em participar como personagens em alguma trama de novela, pode ser até a das 6.
-adalberto cantinhone, milhonário comunista, pose de herói do vilão, sonha em poder morrer dignamente no final de alguma minissérie.
#filermina sá de trais, pobre raquítica desmilinguida, mora num lugar feio, ela mesma é muito feia, tão feia que só de alhar a cara, não se adivinha o sexo, nem mesmo de que espécie. sua única companheira, seu aparelho de televisão. seu sonho é ser uma socialaite, daquelas que vão a todas as festas que realmente importa.
quem quiser contratar estes personagens para obras de ficção, ou mesmo baseado em fatos reais, para exibição pública ou privada, favor contatar este blog estando com um cheque na mão.
publicado originalmente em 30 de novembro de 2008 e até hoje estão desempregados. ajude uma personagem sem história.
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PARA DIGMA COM MUITO AMOR (r)
como ninguém pediu minha opinião, me vejo no direito de dizer com todas as letras que forem necessárias. isto posto assim no início dá uma idéia completamente errada do que eu tenho pra dizer, mas vai ficar assim mesmo para que ninguém diga que não estou falando sério.
resolvi começar um outro parágrafo pois aquele estava um tanto confuso. este só está aqui para avisa-lo do próximo:
numa aula a respeito de paradigmas, fiquei sabendo que depois de teocentrismos e antropocentrismo, vem forte uma campanha para que o paradigma que a Modernidadecontemporânea pretende adotar como ‘bandeira’ para o século XXI e vindouros, é o biocentrismo. confesso que senti um calafrio huxleyniano quando ouvi isto, ainda mais quando vemos a genética em ponta de lança. até entendo a boa intenção em colocar a vida como o centro, mas ainda assim é um tanto vago e o termo pode trazer associações racionalistas que pode beirar a eugenia. bem, se a Modernidadecontemporânea está precisando de um paradima, eu modestamente gostaria de sugerir um termo mais abrangente e porque não até mais urgente: Ecocentrismo, eco como casa, nossa casa, este planeta. ele é nossa única casa, e se não cuidarmos dela ela cuida da gente. como disse o profeta raul: “o praneta como um cachorro eu vejo/ se ele nun guenta mais as pulga/ se livra delas num sacolejo” tá avisado.
para concluir eu gostaria de colocar este último parágrafo.
publicado originalmente em 27 de novembro de 2008
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CRIXÊ (r)
ieu qero proveitá eça sistuação qi u patrão saiu i largô eci trósso ligado prá dexá um potresto. tuda veis nas rinvista satírica acunteci eça coisa di um impregado seminarfabeti inscreve uma carta, inditorinhal ô qarqé otra coisa invacaiâno cum a redação da dita rinvista, qarqé rinvista satírica cunteci iço. i ói qi ieu sô ledô intígo decis trósso, pratincamente me farbetizei cuelas. ô genti vamu pará cuisso. é tão farso i forçado qui ningém maicai. inda mai oje qi usuindo acorrege tudo. u qi importa memo in tudu eça istoria é si u bão purtugês injuda na boa cumunicassão ô si u simblu gramáticufunéticu já tá tão iscurpidu na menti qi num importa cumu si inscreve prá sabê u qi si tá dizeno. prá triminá, ieu qiria mandá um abrasso pramia tia i pramia vó.
peéssi: u cumputadô ponhô umas risca vremeia pur baxo das palavra intão deve di sê importanti.
publicado originalmente em 09 de novembro de 2008. revisto e ampliado para esta publicação.
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DESTRAVANDO OS PERCEBEIJOS (r)
quadriláteros refulgiam sem cessar enquanto ao longe, numa reprimenda de sabores flástidos, os boronenses encontravam-se ligados numa sicessão decubita.
uma sensação de dejavu foi percebida na garrafa, será que algo tão estranho poderia se repetir?
sem mais delongas madeixas descalças, a marcha procegou.
enquanto iam, tocou-se o hino!
publicadoo orighinalmente em 16 de outubro de 2008
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