sorrateiramente entrou sem ser logo no começo da história e sem saber viu-se obrigado a falar alguma coisa, afinal se era uma história e ele estava ali, era porque ele tinha algo a dizer, ao menos parecia lógico. não, não tinha nada a dizer, ao menos, não algo que fosse realmente relevante e que pudesse gerar alguma mudança no status quo, talvez não, claro, alguma coisa iria acontecer, um acaso, ou um acidente qualquer, algo que o colocaria no meio de alguma trama ou intriga que o arrastaria para um final surpreendente e revelador, não necessariamente nesta ordem, afinal poderia ser alguma novela novela moderna sem qualquer linearidade. mas não parecia que algo estava na iminência de acontecer, sorrateiramente percebeu enfim que sorrateiramente era seu nome, e que sua existência dependia de letras que se juntavam para montar palavras, e estas, frases que geram idéias para a imaginação de quem as lê, mas como, com um nome destes e sem qualquer descrição, alguém poderá ter uma pálida idéia como era seu ser, se que que podemos assim chamá-lo. sorrateiramente correu até o microfone mais próximo e pôs-se a cantar: “sou absurdo impresso que efemeramente existe agora, e mesmo que morra no ponto final, renascerei a cada leitura, como não tenho uma face, peço emprestada a tua e assim terei muitas e nenhuma, me transormarei num monstro metaf…” sorrateiramente se empolgou e esqueceu-se que estava numa história. não viu quando vindequemestá, o vilão mais ciclotímico e energético das redondezas do burgomestre, atacou-o pelas costas, como é de hábito, e pôs fim de vez ao absurdo que sorrateiramente estava perpetrando.
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