O HOMEM QUE SEMEAVA VENTOS

quando nasceu, uma ventania repentina e quase calamitosa soprou sobre a cidade exatamente no instante em que abriu o berreiro provocado pelo primeiro ar que seus pulmões experimentara. este fato estranho não chamou a atenção de ninguém. nem mesmo durante seu crescimento, notou-se qualquer relação com a brisa que soprava cada vez que ele sorria, ou como os ventos iam ficando forte a medida em que se enfurecia. ele notou, já com dezoito para dezenove anos se deu conta disso. pensou: “puxa, devo ser uma espécie de mutante ou algo parecido, será que existe uma escola que nem aquela dos quadrinhos onde eu possa aprender a controlar meus poderes?” foi até a casa de maike para compartilhar seu segredo, não o conhecia muito bem, mas sabia que o rapaz era muito inteligente e pensou que isto pudesse ser útil de alguma forma, aliás ele não chegou até lá, pois no caminho, um incêndio num prédio comercial de dois andares botava em agitação todos que por ali passavam e se juntavam à turba de curiosos. ele viu alí, uma oportunidade de demonstrar seus poderes. “eu vou apagar este incêndio! afastem-se todos, segurem-se”. teve que repetir varias vezes, e sempre que repetia ia ficando mais nervoso. o vento acompanhando o ritmo foi ficando mais forte, e mais forte, mais forte, até que ventou tanto, que o fogo cresceu ainda mais e espalhou-se para o resto do quarteirão. pouca coisa sobrou. hoje em dia, por ironia do destino, ele encontra-se preso numa gaiola de plástico no manicômio judiciário doutor chaviér.

Deixe um comentário

Arquivado em CONTILHO

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s