ARQUEOLOGIA PESSOAL

7 12 2009

encontrei num caderno enquanto fuçava no passado:

o carro partiu em busca
pé de pato mangalô três vezes
dois são seis tudo menos
prezados galanteadores de
compostos em hélio
gaba-lo-ei primeiro a nova
mente todo aquele que ama
duro é ser e crescer
mostarda mas não falha
(algumas indicações datam este, de 2000)

Para o rei, real é tudo aquilo em que ele acredita.

Pessoas fúteis são úteis pois são numerosas
(estas duas estavam na mesma página do troço acima)





EM CÔMODO DE LEITE (r)

6 12 2009

quem já ouviu de soslaio não deveria de mim tirou só lamente uma vez na américa. nenhuma a uma ora e meias de seda. ou desse jeito mate mágico zimbro. o que mais poderia por último segundo as tradições simultâneas. foi preciso chegar até aqui para entender alguma coisa. tão logo o ponto de ônibus coube flor estas manias comendo eiras e beiras de vieiras se desfaziam em pérolas recorrentes do mais puro elo quente da língua. quem já havia sentido. sente. sem sentido.
um perovíneo percorreu, pulou e caiu na real sociedade mudando seu estilo de vida severina até chegar ao final!

publicado originalmente em 22 de fevereiro de 2008





QUASE VAGABUNDO

26 11 2009

na aula desta quarta-feira, desenrolando em tom de conversa informal e de fim de ano letivo, falando da vantagem da licenciatura de poder dar aula, o professor comentou: ou você dá aula fica… deu de ombros com uma cara de quem não tem muita opção, no que aproveitei a deixa e emendei …fica quase um vagabundo! emendei. causou alguns risos, portanto acho bom esclarecer o seguinte: o quase na frase indica que na verdade ele não é um vagabundo. a bola quase entrou no gol. não foi gol. brinquei com a expressão vagabundo, justamente por ser uma imagem com a qual o filósofo convive. e não sem razão, afinal se você vir um filósofo trabalhando, será capaz de jurar que ele não estava fazendo nada. se ele estiver com um livro, dirá que ele está passando o tempo. se ele estiver de olhos fechados então, só pode estar dormindo. as pessoas não imaginam o trabalho árduo, as batalhas que trava no mundo das ideias. pois é lá o seu escritório. ali ele sua sua camisa com o calor dos neurônios queimados. alguns chegam até a enlouquecer, pois pisam em território abstrato e perigoso. poucos se dispõem a vasculhar com afinco os escaninhos do conhecimento acumulado. não, o filósofo não é um vagabundo. mas o quase esta lá. o quase gol, não é gol, mas o quase, além de indicar que não é gol, também indica que há possibilidade do gol. da mesma forma o filósofo. a possibilidade está lá. se todo o pensar elocubratológico do filósofo não resultar em evolução, contribuição, ou ao menos, auxílio para o mundo em que vive, então tal fulano nunca foi filósofo, mas só um vagabundo.





ABSTRATO NATURAL

25 11 2009

pausa para as palavras

da série de abstracionismos flagrados na natureza pelas lente deste que escreve.





ONDE ESTÁ A METAFÍSICA?

24 11 2009

se tem um estrago que o mundo medieval fez bem feito, foi atrelar a metafísica a um conceito de realidade extraterrena existente independente dos homens. particularmente, eu desconfio bastante da exatidão dos conhecimentos gregos clássicos que chegaram até hoje, haja visto que todo este conhecimento teve que passar pela idade média, controlada por uma igreja com poderes soberanos quanto ao conhecimento. enfim, não quero tratar aqui de história, a pergunta é onde está a metafísica, pois bem:

em primeiro lugar, não acredito que a metafísica seja aquilo que o nome sugere, ou seja: além da física, ou depois da física. não, nada disso. o que entendo por metafísica é: a não-física. se a física (phisys), se refere a tudo que é fisico, tem forma, matéria, e demais categorias aristotélicas. a metafísica ou não-fisica (aphisys), por oposição, refere-se a tudo que diz respeito ao não-fisico, ao imaterial, ou insubstancial, como o pensamento.

antes de dizer onde está a metafísica, vou dizer onde está a física. a física está onde está o átomo, tudo o que é composto por átomos, é físico. onde há o vazio, lá está a metafísica. física e metafísica são opostos complementares, gêmeos siameses inseparáveis. a maior parte de um átomo é constituído de vazio.

quando a posmodernidade  conclama pelo fim da metafísica, está se referindo a uma metafísica agostiniana-tomista, pois a metafísica de fato, o não-físico, faz parte da estrutura do universo.

não tenho que provar nada, cabe ao pessoal do popper o ônus da falseabilidade.





SORTILÉGIO PARA ESQUECER UM AMOR NÃO CORRESPONDIDO

22 11 2009

dentre os mais obscuros e insultados alfarrábios produzidos entre os séculos XII e XIII na região da Escrótia meridional, encontra-se o do alquimista franco-inglês Kent de Choasin, conhecido por ser o homem mais feio da idade média, feito notável se levarmos em conta que não existia gente bonita na idade média. dizem que vivia com um pano a cobrir-lhe o rosto, e que cobrava de quem o quisesse ver-lhe o rosto. felizmente não existe nenhum retrato de seu rosto, segundo consta, nenhum pintor conseguia olhá-lo por muito tempo sem passar mal. foi um dos mais notáveis criador de sortilégios e elixires amorosos capaz de trazer a pessoa amada em 2, 7, 15, ou 30 dias, dependia da bolsa. seu breviário continha mais de 736 diferentes tipos de fórmulas, todas com eficácia comprovada, exceto para si mesmo. todas as fórmulas que criou, e as que existem hoje em dia são originárias dele, foi uma tentativa de experimentar ao menos uma vez, ser correspondido no amor. numa carta escrita de próprio punho dois dias antes de morrer numa tentativa de transformar pólvora em ouro, ele afirma que o único sortilégio que ele usava e que sempre funcionava, era: “sortilégio para esquecer um amor não correspondido: a receita da minha vida“, a fórmula era como se segue:

- em primeiro lugar, princípio e primórdio de todas as decisões: mantenha distância. a distância é o fundamento basal para se eliminar o amor em todas as suas entranhas. sei que há muita dificuldade em manter distância quando o desejo de estar junto é quase um vício. além da distância física, deixe também o amor longe dos olhos, principalmente dos olhos da mente. quem já viveu este mal sabe o quão difícil é esta empreitada, mas este primeiro passo é decisivo para o sucesso completo de eliminar o amor não correspondido do coração.

- depois de conseguir ficar distante por no mínimo 45 dias, procure e enumere os defeitos da pessoa amada, sim, ela tem, procure com afinco e deliberação. defeitos físicos, de conduta, de personalidade, não deixe nenhum aspecto sem escrutínio. não deixe de ter estes defeitos sempre à mão para apresentá-los quando pensar na pessoa amada.

- procure apreciar a possibilidade de outros amores, afinal se não foi correspondido, é porque seu amor verdadeiro está em outra pessoa. continue procurando.

- um sinal inequívoco de que o sucesso está a caminho, mas não alcançado, é quando por acaso encontrar a tal pessoa que se quer esquecer, e sem querer ou qualquer preparação, subitamente lhe vem à mente o pensamento: “mas o que é que eu vi nessa pessoa?!” embora um bom sinal, ainda é um momento delicado, portanto é bom continuar a manter a distância.

- o sucesso só será completo quando você não conseguir mais destacar tal pessoa da multidão. o amor é um bálsamo sublime, mas quando não correspondido, pode se transformar num veneno ou numa obsessão, capaz de transformar indivíduos saudáveis em sombras daquilo que já foram. fica aqui minha receita para acabar com este mal que acomete corações partidos. lembre-se, quanto antes começar, melhor.

Escrótia I.XII.MCCXXXIV

 





ARRE!!!

21 11 2009

nada como uma fúria interior para soltar todos os foguetes guardados dos últimos campeonatos, e já não me lembro o último título. ao menos para os artistas, esta fúria é benéfica, pois em sua mansarda atômica, destrói planetas para criar mundos nos interstícios do vazio. é seu motor imóvel que tem como combustível, o amor, que como qualquer remédio também é veneno.

deixe-me gritar na chuva enquanto todos dormem, pois grito para surdos. hipnotizados pelo mundo do hiperuâneo catódico que lhes dão um mudo perfeito onde os maus sempre encontram sua punição. sonhos de estribilhos fáceis.

não digo nada de novo, e não vou dizer outra vez só para confundí-los. sei que não adianta jogar merda no ventilador pois todos estão acostumados com as bostas.

não, não estou revoltado, sempre fui. mas nunca perdi o humor, pois ele me indica o rhumo para se furar o muroh com pontas de sarcasmo bem afiadas para furar o umbigo da hipocrisia. desculpem, mas me pegaram num dia de fúria: vásefodêseufeladaputaducaraiocusãodaporra! e digo mais, se você se ofendeu, o problema certamente não está comigo, nem neste texto.





NADA COMO TUDO

20 11 2009

como todo dia a mesma coisa.

bebo todo dia como carne.

como cego, como surdo, como comida, como todo mundo come.

nada como peixe frito.

como nada visto antes.





SÓ TEM SEXO NO TÍTULO

18 11 2009

nem mesmo um grupo grande de albigeneses infartados conseguiriam desprender tamanha quantidade dispensável deplorável de palavras ligadas umas às outras sem produzir qualquer tipo de sentido lógico.  é certo que, se não procurava a lógica nunca iria encontrá-la. queria sim, descortinar horizontes linguísticos fonéticos-sensitivos para além da lógica.

onde estavam guardadas as devidas interrogações? são tantas as sutilezas das maneiras de se fazer uma interrogação, no entanto o símbolo é um só. adinenfirantes discontintos insufleinado na milonga? um espanhol nunca é pego de surpresa por uma interrogação.

tristes tículos triplos aumentam a área sensível. humortalidade garante vida eterna ao riso. hei de encontrar meu lugar no mundo ou ao menos um mundo onde eu tenha lugar.





O CONTILHO DO ALCÍLIO

9 11 2009

alcílio já caminhava por aquelas nuvens há algum tempo. várias vezes escorregara ou ficara sem chão. as quedas eram sempre difíceis, como soem ser as quedas. até que um dia, cansado e marcado com a lembrança das escoriações, decide caminhar apenas por solos mais firmes, ficou apenas a admirar ao longe e debaixo, as nuvens, que pairavam sobre sua cabeça como lembranças sólidas.

a vida em solo firme de alcílio também apresentava dificuldades, mas ao menos eram dificuldades mais confortáveis, não se machuca tanto e não requeria grande esforço. como confundiu conforto com felicidade, não percebeu a tristeza se instalando, e não demorou para que as coisas começassem a perder a graça.

não fosse uma nuvem conhecida que nunca vira antes espraiar-se sobre a colina convidando-o a um passeio, ele teria morrido confortável em solo firme. como há muito se esquecera como se andava em nuvens, não demorou a cair, e via-se que estava feliz enquanto caia para sua morte.