ALITERAÇÕES DE CONSCIÊNCIA

5 01 2010

passadas todas as comemorações, felicitações e demais pieguices de final de ano, Valdelívio foi ter com seu mestre em informações incompletas, afim de aprumar o rumo de sua conversa. “meu filho”, disse o velho gazeteiro em fim de carreira, “vê como é que faz, prá ver como é que fica.” ao terminar a frase sutilmente enterrou o dedo num pudim de corda, cuja receita mantinha guardada em um guardapó amarelo no fundo de um guardarroupa quebrado escondido no sótão, que tem mais acentos que ônibus. “e se eu não gostar?” insisti. vendo que minha insistência não seria saciada de uma pernada só, repondeu, não sem antes arrotar em francês todo o alfabeto braile: “joga fora e começa de novo.” saí menos aliviado, porém contente por não ter levado as trinta e sete chibatadas recomendadas pela associação nacional dos conservadores de regimes totalitários. traduzi este jesto com jota, por ser uma espécie de subversão subentendida como subalternativa subterrânea e subliminar ao substituto intelectual de um cachorro, ou algo parecido. não olhei prá trás, e quando dei por mim já era dia de começar outra vez tudo de novo desde o início, só que diferente.





ARQUEOLOGIA PESSOAL

7 12 2009

encontrei num caderno enquanto fuçava no passado:

o carro partiu em busca
pé de pato mangalô três vezes
dois são seis tudo menos
prezados galanteadores de
compostos em hélio
gaba-lo-ei primeiro a nova
mente todo aquele que ama
duro é ser e crescer
mostarda mas não falha
(algumas indicações datam este, de 2000)

Para o rei, real é tudo aquilo em que ele acredita.

Pessoas fúteis são úteis pois são numerosas
(estas duas estavam na mesma página do troço acima)





EM CÔMODO DE LEITE (r)

6 12 2009

quem já ouviu de soslaio não deveria de mim tirou só lamente uma vez na américa. nenhuma a uma ora e meias de seda. ou desse jeito mate mágico zimbro. o que mais poderia por último segundo as tradições simultâneas. foi preciso chegar até aqui para entender alguma coisa. tão logo o ponto de ônibus coube flor estas manias comendo eiras e beiras de vieiras se desfaziam em pérolas recorrentes do mais puro elo quente da língua. quem já havia sentido. sente. sem sentido.
um perovíneo percorreu, pulou e caiu na real sociedade mudando seu estilo de vida severina até chegar ao final!

publicado originalmente em 22 de fevereiro de 2008





NADA COMO TUDO

20 11 2009

como todo dia a mesma coisa.

bebo todo dia como carne.

como cego, como surdo, como comida, como todo mundo come.

nada como peixe frito.

como nada visto antes.





SÓ TEM SEXO NO TÍTULO

18 11 2009

nem mesmo um grupo grande de albigeneses infartados conseguiriam desprender tamanha quantidade dispensável deplorável de palavras ligadas umas às outras sem produzir qualquer tipo de sentido lógico.  é certo que, se não procurava a lógica nunca iria encontrá-la. queria sim, descortinar horizontes linguísticos fonéticos-sensitivos para além da lógica.

onde estavam guardadas as devidas interrogações? são tantas as sutilezas das maneiras de se fazer uma interrogação, no entanto o símbolo é um só. adinenfirantes discontintos insufleinado na milonga? um espanhol nunca é pego de surpresa por uma interrogação.

tristes tículos triplos aumentam a área sensível. humortalidade garante vida eterna ao riso. hei de encontrar meu lugar no mundo ou ao menos um mundo onde eu tenha lugar.





META A LINGUAGEM NESSA COISA

6 11 2009

sorrateiramente entrou sem ser logo no começo da história e sem saber viu-se obrigado a falar alguma coisa, afinal se era uma história e ele estava ali, era porque ele tinha algo a dizer, ao menos parecia lógico. não, não tinha nada a dizer, ao menos, não algo que fosse realmente relevante e que pudesse gerar alguma mudança no status quo, talvez não, claro, alguma coisa iria acontecer, um acaso, ou um acidente qualquer, algo que o colocaria no meio de alguma trama ou intriga que o arrastaria para um final surpreendente e revelador, não necessariamente nesta ordem, afinal poderia ser alguma novela novela moderna sem qualquer linearidade. mas não parecia que algo estava na iminência de acontecer, sorrateiramente percebeu enfim que sorrateiramente era seu nome, e que sua existência dependia de letras que se juntavam para montar palavras, e estas, frases que geram idéias para a imaginação de quem as lê, mas como, com um nome destes e sem qualquer descrição, alguém poderá ter uma pálida idéia como era seu ser, se que que podemos assim chamá-lo. sorrateiramente correu até o microfone mais próximo e pôs-se a cantar: “sou absurdo impresso que efemeramente existe agora, e mesmo que morra no ponto final, renascerei a cada leitura, como não tenho uma face, peço emprestada a tua e assim terei muitas e nenhuma, me transormarei num monstro metaf…” sorrateiramente se empolgou e esqueceu-se que estava numa história. não viu quando vindequemestá, o vilão mais ciclotímico e energético das redondezas do burgomestre, atacou-o pelas costas, como é de hábito, e pôs fim de vez ao absurdo que sorrateiramente estava perpetrando.





CONTILHO: UM MOMENTO ESTRIGLONÉSTICO (r)

30 08 2009

como era de praxe na Bringonélia os canufletos estavam discombando naquela que seria a última coronalização das pringanhas. o manuleto já estava para tocar algo em seu esconço quando descendo pela bigorrina diametral surgiu diante de todos, besgando um impronunciável e amontoado de letras, o piloco do stramuni. o povaréu se agitou em especulações trugentárias e outras capilominícias. foi o que bastou para que o foco se estrondasse desde o início e desse margem para que finalmente algo pudesse acontecer.
não é possível escutar daí mas os camilos estão concentrados em fazer silêncio e não há galvilos em número suficiente para fazê-los calar.
enquanto isso, o piloco baixou três tintas de seu vitupério e atacou veloz e sensato, o calco de vina, que todos esperavam estar desnixoveto, que como manda a tradição, estava.
foi aquela faularia, a polvorosa em descripância alvirotava: gualabú, singoná, piritó! gualabú, singoná, piritó! os cofêmulos disgronavam, os paritânios peloravam, os ganabeus finocicaram, os tumbeflastos disgronaram sem as feletas, enquanto que os notes fegaram. ninguém se entendia, mas estavam todos felizes e isso era binótico, afinal iniciava-se ali, coronalização das demítias.

públicado originalmente em 12 de fevereir0 de 2008

há época pedro lima fez o seguinte comentário:

“What is desnixoveto?”





CONVERSA DE GELADEIRA

6 06 2009

sabe o zezinho, irmão do aclécio que jogou no time de futebol do boquinha e foram campeão em 89 em cima do time do jair, do jair você lembra, não lembra? que foi pegar a jabuticaba no terreno da dona irene e foi mordido pelo cachorro do cobrinha, ê rapaz o cobrinha era terrível, e ele não tinha um olho, que perdeu quando apanhou do zezão, filho do cumpadi dito que tem uma venda na frente da casa da dona cotinha, mãe do genésio e do gervásio, que também jogou no mesmo time do boquinha, ê rapaz mas o boquinha tinha uma irmâ que pelamordedeus!, quiqueaquilo!, trudia ela tava com uma sainha que só não mostrava o erregê!, mas do que queu tava falando mesmo…, ah, do zezinho, então, sabe quem é? não? então não vai dar pra explicar!





CERTO DIA NA ILHA DE IRÔNIA

30 04 2009

a ilha de Irônia fica localizada a quinhentos metros do centro do mar Asmo, sua capital é banhada somente aos domingos, quando sai em turnê pela orla. era manhã de sábado, quase terça, numa esquina duma das praças mais famosas jamais conhecidas, três dos cidadãos mais bem servidos de propósitos inúteis, conciliavam para descobrir uma maneira de encontrar alguma coisa num lugar desconhecido, só para provocar o espanto de todos. qual o lugar mais desconhecido que você conhece? perguntou o primeiro. eu nunca ouvi falar de um lugar chamado sgrovenkas vunkan! respondeu o segundo seguinte. ao que concluiu o terceiro: excelente! é prá lá que vamos! 





FLUXO VERBORRÁGICO (r)

29 04 2009

O fluxo veborrágico consiste em deixar fluir pelos teclados através de seus dedos tudo que vem vindo sem qualquer censura ou sensura não importando se quem pagou quis ouvir outra coisa é que também não tem qualquer sentido não entra qualquer tipo de pensamento interferindo na organização das palavras ou pode ter afinal não há nenhuma regra no fluxo verborrágico eu costumo fazer este exercício com um gravador e para falar a verdade é a primera vez que faço isso com o teclado e posso dizer que é uma coisa ou melhor uma experiência bastante interessante principalmente porque não estou nenhum pouco preocupado com a pontuação do texto que afinal não existe a não ser como ver boi rugia no pasto redondo e não encontrou mais nada a perder de vista a mente está onde o corpo se encontra esgotado e sem nada na cabeça a não ser um pérfido esgranhento e não mais todontem e amanhã já foi uhuu! quase que perdi o controle e fui para o beleléu horizonte é uma coisa sem a menor variação sintética e extraordinariamente elevada eu nunca escrevi uma quantidade tão grande e em sequência de um texto sem respirar repirar e repetência fazem a dor mais depressa do que denovo e eu acho melhor parar por aqui pois vocês já entenderam que eu não pretendo chegar a lugar algum a não ser a calma interior que advirá ao término findo este que vos digita sem mais delongas.

 

fluxo verborrágico foi publicado e inaugurado oficialmente no arrabunça em 27 de novembro de 2007