passadas todas as comemorações, felicitações e demais pieguices de final de ano, Valdelívio foi ter com seu mestre em informações incompletas, afim de aprumar o rumo de sua conversa. “meu filho”, disse o velho gazeteiro em fim de carreira, “vê como é que faz, prá ver como é que fica.” ao terminar a frase sutilmente enterrou o dedo num pudim de corda, cuja receita mantinha guardada em um guardapó amarelo no fundo de um guardarroupa quebrado escondido no sótão, que tem mais acentos que ônibus. “e se eu não gostar?” insisti. vendo que minha insistência não seria saciada de uma pernada só, repondeu, não sem antes arrotar em francês todo o alfabeto braile: “joga fora e começa de novo.” saí menos aliviado, porém contente por não ter levado as trinta e sete chibatadas recomendadas pela associação nacional dos conservadores de regimes totalitários. traduzi este jesto com jota, por ser uma espécie de subversão subentendida como subalternativa subterrânea e subliminar ao substituto intelectual de um cachorro, ou algo parecido. não olhei prá trás, e quando dei por mim já era dia de começar outra vez tudo de novo desde o início, só que diferente.
ALITERAÇÕES DE CONSCIÊNCIA
5 01 2010Comentários : Deixar um comentário »
Tags: absurdo, CONTILHO, conto, gutenbah, literatura abstrata, non sense, palavra
Categorias : CONTILHO
ARQUEOLOGIA PESSOAL
7 12 2009encontrei num caderno enquanto fuçava no passado:
o carro partiu em busca
pé de pato mangalô três vezes
dois são seis tudo menos
prezados galanteadores de
compostos em hélio
gaba-lo-ei primeiro a nova
mente todo aquele que ama
duro é ser e crescer
mostarda mas não falha
(algumas indicações datam este, de 2000)
Para o rei, real é tudo aquilo em que ele acredita.
Pessoas fúteis são úteis pois são numerosas
(estas duas estavam na mesma página do troço acima)
Comentários : Deixar um comentário »
Tags: absurdo, arqueologia pessoal, literatura abstrata, non sense, palavra
Categorias : Uncategorized
EM CÔMODO DE LEITE (r)
6 12 2009quem já ouviu de soslaio não deveria de mim tirou só lamente uma vez na américa. nenhuma a uma ora e meias de seda. ou desse jeito mate mágico zimbro. o que mais poderia por último segundo as tradições simultâneas. foi preciso chegar até aqui para entender alguma coisa. tão logo o ponto de ônibus coube flor estas manias comendo eiras e beiras de vieiras se desfaziam em pérolas recorrentes do mais puro elo quente da língua. quem já havia sentido. sente. sem sentido.
um perovíneo percorreu, pulou e caiu na real sociedade mudando seu estilo de vida severina até chegar ao final!
publicado originalmente em 22 de fevereiro de 2008
Comentários : Deixar um comentário »
Tags: absurdo, literatura abstrata, nada, non sense
Categorias : Uncategorized
NADA COMO TUDO
20 11 2009como todo dia a mesma coisa.
bebo todo dia como carne.
como cego, como surdo, como comida, como todo mundo come.
nada como peixe frito.
como nada visto antes.
Comentários : Deixar um comentário »
Tags: absurdo, literatura abstrata, non sense, palavra, poemilho, poesia abstrata
Categorias : Uncategorized
SÓ TEM SEXO NO TÍTULO
18 11 2009nem mesmo um grupo grande de albigeneses infartados conseguiriam desprender tamanha quantidade dispensável deplorável de palavras ligadas umas às outras sem produzir qualquer tipo de sentido lógico. é certo que, se não procurava a lógica nunca iria encontrá-la. queria sim, descortinar horizontes linguísticos fonéticos-sensitivos para além da lógica.
onde estavam guardadas as devidas interrogações? são tantas as sutilezas das maneiras de se fazer uma interrogação, no entanto o símbolo é um só. adinenfirantes discontintos insufleinado na milonga? um espanhol nunca é pego de surpresa por uma interrogação.
tristes tículos triplos aumentam a área sensível. humortalidade garante vida eterna ao riso. hei de encontrar meu lugar no mundo ou ao menos um mundo onde eu tenha lugar.
Comentários : Deixar um comentário »
Tags: absurdo, gutenbah, literatura abstrata, non sense, palavra
Categorias : AUTOFAGIA, FLUXO VERBORRÁGICO, NONADA
CONTILHO: UM MOMENTO ESTRIGLONÉSTICO (r)
30 08 2009como era de praxe na Bringonélia os canufletos estavam discombando naquela que seria a última coronalização das pringanhas. o manuleto já estava para tocar algo em seu esconço quando descendo pela bigorrina diametral surgiu diante de todos, besgando um impronunciável e amontoado de letras, o piloco do stramuni. o povaréu se agitou em especulações trugentárias e outras capilominícias. foi o que bastou para que o foco se estrondasse desde o início e desse margem para que finalmente algo pudesse acontecer.
não é possível escutar daí mas os camilos estão concentrados em fazer silêncio e não há galvilos em número suficiente para fazê-los calar.
enquanto isso, o piloco baixou três tintas de seu vitupério e atacou veloz e sensato, o calco de vina, que todos esperavam estar desnixoveto, que como manda a tradição, estava.
foi aquela faularia, a polvorosa em descripância alvirotava: gualabú, singoná, piritó! gualabú, singoná, piritó! os cofêmulos disgronavam, os paritânios peloravam, os ganabeus finocicaram, os tumbeflastos disgronaram sem as feletas, enquanto que os notes fegaram. ninguém se entendia, mas estavam todos felizes e isso era binótico, afinal iniciava-se ali, coronalização das demítias.
públicado originalmente em 12 de fevereir0 de 2008
há época pedro lima fez o seguinte comentário:
“What is desnixoveto?”
Comentários : Deixar um comentário »
Tags: absurdo, conto, gutenbah, literatura abstrata, non sense
Categorias : Uncategorized
CONVERSA DE GELADEIRA
6 06 2009sabe o zezinho, irmão do aclécio que jogou no time de futebol do boquinha e foram campeão em 89 em cima do time do jair, do jair você lembra, não lembra? que foi pegar a jabuticaba no terreno da dona irene e foi mordido pelo cachorro do cobrinha, ê rapaz o cobrinha era terrível, e ele não tinha um olho, que perdeu quando apanhou do zezão, filho do cumpadi dito que tem uma venda na frente da casa da dona cotinha, mãe do genésio e do gervásio, que também jogou no mesmo time do boquinha, ê rapaz mas o boquinha tinha uma irmâ que pelamordedeus!, quiqueaquilo!, trudia ela tava com uma sainha que só não mostrava o erregê!, mas do que queu tava falando mesmo…, ah, do zezinho, então, sabe quem é? não? então não vai dar pra explicar!
Comentários : Deixar um comentário »
Tags: absurdo, gutenbah, literatura abstrata, non sense, palavra, realidade
Categorias : NONADA
CERTO DIA NA ILHA DE IRÔNIA
30 04 2009a ilha de Irônia fica localizada a quinhentos metros do centro do mar Asmo, sua capital é banhada somente aos domingos, quando sai em turnê pela orla. era manhã de sábado, quase terça, numa esquina duma das praças mais famosas jamais conhecidas, três dos cidadãos mais bem servidos de propósitos inúteis, conciliavam para descobrir uma maneira de encontrar alguma coisa num lugar desconhecido, só para provocar o espanto de todos. qual o lugar mais desconhecido que você conhece? perguntou o primeiro. eu nunca ouvi falar de um lugar chamado sgrovenkas vunkan! respondeu o segundo seguinte. ao que concluiu o terceiro: excelente! é prá lá que vamos!
Comentários : Deixar um comentário »
Tags: absurdo, conto, filosofia, gutenbah, literatura abstrata, non sense
Categorias : CONTILHO
FLUXO VERBORRÁGICO (r)
29 04 2009O fluxo veborrágico consiste em deixar fluir pelos teclados através de seus dedos tudo que vem vindo sem qualquer censura ou sensura não importando se quem pagou quis ouvir outra coisa é que também não tem qualquer sentido não entra qualquer tipo de pensamento interferindo na organização das palavras ou pode ter afinal não há nenhuma regra no fluxo verborrágico eu costumo fazer este exercício com um gravador e para falar a verdade é a primera vez que faço isso com o teclado e posso dizer que é uma coisa ou melhor uma experiência bastante interessante principalmente porque não estou nenhum pouco preocupado com a pontuação do texto que afinal não existe a não ser como ver boi rugia no pasto redondo e não encontrou mais nada a perder de vista a mente está onde o corpo se encontra esgotado e sem nada na cabeça a não ser um pérfido esgranhento e não mais todontem e amanhã já foi uhuu! quase que perdi o controle e fui para o beleléu horizonte é uma coisa sem a menor variação sintética e extraordinariamente elevada eu nunca escrevi uma quantidade tão grande e em sequência de um texto sem respirar repirar e repetência fazem a dor mais depressa do que denovo e eu acho melhor parar por aqui pois vocês já entenderam que eu não pretendo chegar a lugar algum a não ser a calma interior que advirá ao término findo este que vos digita sem mais delongas.
fluxo verborrágico foi publicado e inaugurado oficialmente no arrabunça em 27 de novembro de 2007
Comentários : Deixar um comentário »
Tags: absurdo, FLUXO VERBORRÁGICO, gutenbah, literatura abstrata, nada, non sense, palavra
Categorias : FLUXO VERBORRÁGICO
Comentários